Esverdeada Água da Maior Barragem do RN Chama Atenção



Com 11,97% de sua capacidade, Armando Ribeiro está quase no volume morto. Estado enfrenta a mais grave crise hídrica da história.
A coloração esverdeada das águas que saem da barragem Armando Ribeiro Gonçalves – maior reservatório hídrico do Rio Grande do Norte – já começa a chamar a atenção. E não é para menos. Atualmente, moradores de 40 municípios dependem e bebem dessa água.
G1 procurou o Instituto de Gestão das Águas do Estado do Rio Grande do Norte (Igarn), responsável pelo monitoramento dos reservatórios do estado. Segundo o órgão, apesar da cor, a população pode ficar tranquila, já que a vazão que sai da barragem ainda vai passar por tratamento antes de chegar às torneiras. No entanto, não se pode afirmar até quando será possível garantir a qualidade dessa água.
“Não é possível afirmar até quando a água poderá ser tratada. O que se tem de certo é que, quanto mais diminui o volume, mais necessário será a implantação de produtos e insumos para o processo de tratamento”, ressaltou Josivan Cardoso, diretor-presidente do Igarn.
O órgão também esclareceu que a grande concentração de algas, associada com o volume cada vez mais baixo, é apontado com o responsável pela coloração esverdeada da água.
Volume morto
A barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves teve sua construção concluída em 1983. Tem capacidade para 2,4 bilhões de metros cúbicos de água. Porém, atualmente tem apenas 11,97% desse montante, o que representa um nível de 287 milhões de metros cúbicos. Estudiosos dizem que, com 10%, a barragem entra no chamado volume morto, que é quando a água que resta já não serve mais para o consumo humano.
Seca histórica
O Rio Grande do Norte enfrenta a pior escassez de água de sua história. São seis anos com chuvas abaixo da média. Dos 167 municípios potiguares, 153 estão em calamidade por causa da seca. Isso significa 92% do estado.
Além disso, atualmente 16 cidades estão em colapso no abastecimento, ou seja, sem água nas torneiras. Em outras 80, a Companhia de Águas e Esgotos do estado criou sistemas de rodízio para garantir o mínimo de fornecimento. E os prejuízos, segundo o governo, já passam dos R$ 4 bilhões por causa da redução do rebanho e do plantio.
Esperança
As previsões para 2018 são um alento, mas não garantias. Segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), o estado deve ter chuvas acima da média ano que vem, mas nada suficiente para encher os grandes reservatórios. Caso contrário, o sofrimento das marias e de quase toda a população do estado não tem como diminuir.
Por Anderson Barbosa, G1 RN

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